Caminhada desigual - (II Co. 6.14-18; 7.1)

“Não vos prendais a um jugo desigual… (v.14)”

A palavra jugo significa uma armação de madeira que “jungia”, isto é, emparelhava e unia dois animais, geralmente bois, usados para descrever a sujeição de um indivíduo a outro.

O jugo é um elemento de sujeição. É para ser colocado em animais da mesma espécie, que tenham o mesmo porte físico a fim de realizarem o mesmo tipo de esforço. É para caminharem na mesma direção, no mesmo passo, para dividirem a carga, a fim de não sobrecarregar a um só animal num trabalho bruto. O jugo também atrela um animal a outro para impedir que um avance ou o outro retroceda, gerando assim uma co-dependência.

Paulo relaciona alguns exemplos de jugo desigual ressaltando a impossibilidade de uma caminhada na mesma direção: justiça e iniqüidade, luz e trevas, Cristo e o Maligno, o crente e o incrédulo, o santuário de Deus e os ídolos.

Não é possível que um discípulo de Jesus preste lealdade e dedique seu tempo e atenção a ambos os mundos. Os termos usados para designar situações de jugo mostram uma completa e total impossibilidade neste sentido pelo que eles mesmos representam:

“Que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade?”(v.14 ). A palavra sociedade (gr.metoche), significa partilha, participação. A retidão e o caráter santo de Deus transmitido aos crentes não podem ter qualquer participação com a iniqüidade.

“…ou, que comunhão da luz com as trevas”(v.14 ). Comunhão (gr. koinonia), significa associação, companheirismo, relação íntima, a exemplo do casamento.

“…que ligação entre Cristo e o Maligno?” (v.15). Harmonia (gr. sunphonesis), significa acordo, harmonia. Musicalmente usada para indicar o acordo e a mescla dos sons de vários instrumentos musicais, ou música harmoniosa produzida por um único instrumento.

“…ou que união entre o crente e o incrédulo?”(v.15 ). União (gr. meris), significa parte de um todo que já foi dividido. Uma partilha ou porção, o que duas ou mais pessoas compartilham.

“…que ligação há entre o santuário de Deus com os ídolos?”(v.16 ). Ligação (gr. sugkatathesis), significa união, acordo. O templo de Deus e um templo pagão são alicerçados sobre princípios inteiramente diversos, pertencentes a mundos diametralmente opostos.

Pode um filho de Deus estar tão vulnerável a ponto de caminhar em jugo desigual? Infelizmente, a resposta é sim. Quando se une a ímpios, apostando igualmente em valores mundanos, assumindo o mesmo comportamento dos que se opõem a Deus com maledicência, incredulidade, inimizades, ódio, mentiras, etc.; quando profana o santuário de Deus, que é seu próprio corpo, alma e espírito, com imoralidades sexuais, prostituição, impurezas; quando menospreza sua inteligência, que é dom de Deus, enchendo a mente e o espírito com mediocridade em nome de “cultura”, com princípios morais do mundo sem Deus.

Por todas as coisas relacionadas, por ser Deus que é, e por sermos filhos e santuário onde Ele habita, devíamos dar atenção às ordens expostas nesse texto. A primeira atitude seria de resistência: “Não vos prendais…” (v.14). Como um animal que resiste a ser preso, devemos veementemente lutar contra qualquer força que nos prenda a um jugo desigual.

A segunda atitude é de determinação: “Retirai-vos do meio deles” (v. 17). Uma escolha voluntária com base na fidelidade a Deus e Seu reino.

A terceira atitude é de santificação: “Separai-vos” (v.17). É a total consagração a Deus. A própria salvação é impossível quando o indivíduo se recusa a ser inimigo de forças estranhas, que guerreiam contra a alma.

Por fim, a quarta atitude é de rejeição a todo tipo de impureza: “Não toqueis em coisas impuras.” (v.17).

Tais ordens vêm seguidas de promessas (vv.16-18): “Habitarei neles” - constância, companheirismo, comunhão. É a presença de Deus entre nós e em nós. “Andarei entre eles” - podemos sentir suas operações, o seu agir em nossa vida. “Serei o seu Deus” - podemos experimentar o poder divino que nos dá cobertura, acolhimento especial. “Sereis para mim filhos e filhas”- a maior promessa é a da filiação.

A bênção da comunhão, da manifestação do seu poder agindo em nós, dando-nos cobertura e graça, protegendo-nos do mal e o acolhimento como filhos amados, nos tornam distintos, especiais, santos para Ele mesmo. Portanto, temos o poder e a graça de rejeitar qualquer acordo com a perversidade, com as trevas, com o Maligno, com os incrédulos e tudo mais que se opõe ao caráter santo de Deus.

“Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto do corpo como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade, no temor de Deus” (7:1).

Angela Maria dos Reis Campelo
Ministra de Música
Primeira Igreja Batista em Cidade Operária

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